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Heitor dos Prazeres
Sua arte e seu tempo
 

O sonho do agradecimento ao nosso pai e mestre pelo carinho e a orientação no caminho da alegria, amor e esperança, se concretizou. Por tantos motivos e após a ida do Velho Heitor para o outro plano, reunimos a ver fotos, partituras, poesias, desenhos, documentos, por fim, sonhamos com uma homenagem, já que tínhamos um memorial fantástico em mãos.

Em novembro do ano de sua passagem (1966), fomos convocados por nossa irmã Dirce a participar de uma homenagem póstuma ao artista no dia de Zumbi e da Consciência Negra, na cidade de S.Paulo. E juntamente com meus primos, Jorginho (Jorge Paiva †), O.P.Fumaça † e os amigos Darcy da Mangueira, Roberto Crioulo, Serginho Vidal e Joãozinho da Viola, cumprimos esse objetivo, contando ainda com o incentivo de minha mãe e irmãs.

Dirce é fruto do romance de dos Prazeres com Rosa (No Carnaval do Povo em 1939, o mano Heitor ficou enamorado dessa bela mulata paulistana com nome de flor, que mais tarde, por várias vezes o acolheu juntamente com o conjunto em sua pensão, e alguns anos depois quando Dirce veio morar em nossa casa se integrando a família, Rosa tornou-se amiga de minha mãe Nativa, vindo a visitar constantemente a todos nós).

O elenco para esse show do dia de Zumbi, foi acolhido também por ela em sua casa no Cambuci, que continuava sendo uma espécie de pensão, como nos velhos tempos.

Naquele novembro, Dirce que também chegou a atuar como pastorinha, juntamente com as outras irmãs no conjunto do Mano Heitor, preparou toda a nossa participação para este evento. Resgatamos então o grupo de pastoras, ritmistas e passistas de “Heitor dos Prazeres e sua Gente”, e fizemos uma apresentação no Clubinho dos Artistas, e uma exposição retrospectiva com show na Galeria Selearte.

Na volta ao Rio, entusiasmados, continuamos nossa pesquisa pelas cervejarias da Praça XI, colhendo depoimentos de pessoas que conheceram e se relacionaram com papai naquela época, que freqüentavam os bailes da extinta Banda Portugal, e as várias cervejarias que existiam ali na Cidade Nova. Então por intermédio de sambistas da Portela, conheci “Tia Carlinda”, musa inspiradora de papai no sambas “Mulher de Malandro”, “Cassino Maxixe” e “Ora vejam só”, sendo esses dois últimos sambas o motivo da polêmica com um conhecido compositor.
Do relacionamento com o Mano Lino no inicio da década de 20, Tia Carlinda teve uma filha de nome Laura, que passamos a ter contato mais constante.

"Tínhamos em mãos vasto e belo material sobre o mestre e sua obra. E durante esse tempo organizamos, transcrevemos depoimentos, realizamos reuniões de trabalho com meu parceiro Walter Pinto, no Ateliê de Pedra de Guaratiba, onde reunimos um acervo de 300 itens, entre partituras, fotos, quadros, desenhos, objetos, textos, jornais, móveis, etc. Depois das exposições e shows em homenagem ao centenário do mestre no BNDES e MNBA, surgiu a idéia de, após a realização do sonho do Livro, partir para outro que é a criação do Centro Cultural Heitor dos Prazeres. Resumindo, posso dizer que há mais de 30 anos venho batalhando para a realização deste objetivo, e após várias frustradas investidas, acertamos esta por indicação de Haroldo Costa, que publicara seu livro com a editora Novas Direções, apresentando o Diretor Presidente desta empresa o jornalista Armando Daudt, conhecedor e apreciador da obra do nosso Mestre Heitor, abraçando este projeto com entusiasmo, viabilizando-o através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com o apoio da conceituada Cia. Vale do Rio Doce, realizando assim essa grande homenagem." Heitor dos Prazeres Filho.

 
         
 
Contato para shows com Heitorzinho dos Prazeres
(21) 2417 73 15
(21) 2290 1326